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CRÔNICA 07/11/2011
A CRISE E OS TAMBORES DA GUERRA
Parece coincidência. Mas exatamente no momento em que a Europa enfrenta crise econômica semalhante a dos EUA em 2008 – sendo o povo grego o bode expiatório – intensificam-se os tambores da guerra. Em Israel, o presidente Shimon Peres, aquele que ganhou o prêmio Nobel da Paz, aderiu à tese dos falcões sionistas a favor de um ataque militar contra o Irã. Quase ao mesmo tempo, em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado aconselhou a resistência síria a não depor as armas diante da oferta de anistia do governo. É muito sintomático, ainda que alguém possa perguntar: o que tem uma coisa com a outra, o que tem a crise financeira européia a ver com tais opiniões guerreiras?
Tem sim. E muito. Não é novidade dizer que a crise dos anos 30 da século passado foi o estopim para a Segunda Guerra Mundial. A Primeira, a de 1914, é tida nos livros de História como a inauguração das guerras imperialistas modernas. Dizia-se na época que ela, a guerra, não tinha sido feita na Alemanha, mas que o feito na Alemanha (o made in Germany) tinha sido a causa da guerra.
Atualmente, esse tipo de guerra global está restrita no plano, digamos, cambial, desencadeada contra a China, o novo império que desponta. As guerras de verdade estão regionalisadas. E essas guerras, sobretudo as invasões do Afeganistão e do Iraque – calcadas na teoria das guerras preventivas lançada na administração Bush – têm contribuido para mitigar a crise do capitalismo, que não tem como sobreviver senão através do desperdício. Quando há uma crise no consumo, as guerras aparecem como uma boa opção para manter o desperdicio necessário, quer dizer, as máquinas trabalhando a todo vapor. Pode parecer uma incoerência, mas é assim que funciona. Pede-se o sacrifício do povo grego justamente para que o resto da Europa possa continuar consumindo e desperdiçando. Em outros países europeus, também, propaga-se a ideia do sacrificio. Caso da Holanda, onde se pede corte nos gastos sociais e redução da cobertura dos serviços de saude, ao mesmo tempo que se propõe aumentar a presença holandesa nas tropas invasoras do Afeganistão.
Pois, então. Um ataque israelense contra o Irã fará com que os Estados Unidos e a Europa joguem para debaixo do tapete a crise grega do dia para a noite. O ataque, está claro, seria um ato de insanidade, abrindo a possibilidade, mais uma vez, do uso de armas nucleares. Uma repeitição de David contra Golias, sendo os EUA com seus arsenais de destruição em massa o Jeová. A verdade é que ninguém sabe onde irá parar um ataque contra o Irã. No caso da Síria, a esperança é a repetição do que aconteceu na Líbia, onde a OTAN fez aliança até com a AlQaeda para derrubar Kadafi. E aí temos, entramos na grande contradição. O governo do presidente Saad, uma ditadura, sem dúvida, assim como era o regime líbio, é mais progressista (moderno, se quiserem) do que os governos atados às leis duras do islamismo, caso da Árabia Saudita. Evidentemnte, nada disso conta. O que realmente conta é que as máquinas não parem. Que continue a destruição dos recursos do Planeta para a sobrevivência do sistema. As guerras são, sempre, uma boa opção.
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